Médicos investigados por esquema de manipulação de escalas têm bens bloqueados em MG
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Operação cumpriu mandados em hospital da Zona da Mata, foto de arquivo MPMG/Divulgação Quatro mandados de constrição e indisponibilidade de bens contra quatro médicos investigados por esquema criminoso e manipulação de escalas médicas na Zona da Mata foram cumpridos na segunda-feira (9), durante a 3ª fase da operação 'Onipresença', do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). As medidas judiciais determinam o bloqueio de bens dos investigados e impedem a venda ou transferência de imóveis e valores enquanto o processo está em andamento. Os mandados foram cumpridos em Leopoldina e Além Paraíba. Os nomes deles não foram informados. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp A operação teve início em 2024, quando quatro médicos anestesistas foram presos na primeira fase da investigação. Eles respondem ao processo em liberdade. Os profissionais, que atuavam na Casa de Caridade Leopoldinense, são acusados de cumprir plantões em outras cidades, como no Hospital São Salvador, em Além Paraíba, no mesmo horário em que deveriam atender pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Leopoldina. A ação foi realizada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) da Zona da Mata, pela Coordenadoria Regional das Promotorias de Justiça de Defesa da Saúde da Macrorregião Sudeste e pela Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Leopoldina. Relembre como funcionava o esquema De acordo com o Gaeco, os denunciados, liderados por uma médica, teriam atuado de forma organizada para manter o esquema. As investigações apontam combinação de versões, falsificação de documentos, manipulação de registros hospitalares e tentativa de atribuir responsabilidades a terceiros. Ainda segundo o Ministério Público, foram identificadas fraudes, ocultação de erros médicos e emissão de atestados falsos para justificar ausências em plantões. Em um dos episódios citados na investigação, uma das médicas chegou a se autodenominar 'rainha dos atestados'. Com a evolução das apurações, foram constatadas práticas ainda mais graves, que expuseram pacientes a riscos concretos, como: realização de cirurgias e anestesias eletivas durante a escala de sobreaviso da urgência e emergência; manipulação de escalas médicas, com cirurgias simultâneas ou sequenciais e procedimentos eletivos durante o plantão do SUS, além da prática de falsidade ideológica; combinação de versões, falsidades documentais médicas e manipulação de documentos relevantes; compartilhamento de imagem íntima de um paciente e comentários inadequados sobre procedimentos médicos. Médicos são presos por suspeita de manipulação de escala e plantões simultâneos Justiça determinou bloqueio de bens dos investigados A Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo MP e determinou o bloqueio de bens dos investigados. Também foi decidido: compartilhamento das provas com os Conselhos Federal e Regional de Medicina; envio das informações à Gerência Regional de Saúde; afastamento dos médicos denunciados de hospitais conveniados ao SUS enquanto durarem as investigações. O MPMG informou que as apurações continuam e que não está descartado o envolvimento de outras pessoas no esquema. LEIA TAMBÉM: Após prisão de médicos por manipulação de escalas, Casa de Caridade Leopoldinense anuncia nova empresa de anestesia em MG Médicos que manipulavam escalas médicas em hospitais de MG são soltos após cinco dias presos Médica suspeita de chefiar esquema de manipulação de escalas em MG é presa novamente Diretora e provedora foram afastadas A provedora da Casa de Caridade Leopoldinense, Vera Maria do Valle Pires, e a diretora técnica, Dra. Donata, foram afastadas dos cargos após o caso vir à tona. Na época, em nota, a equipe jurídica do hospital informou que o departamento jurídico tomava todas as providências necessárias, “incluindo o pedido de vistas aos autos do processo e dos inquéritos investigativos, visando compreender plenamente os fatos e colaborar com a Justiça”. O Hospital São Salvador, de Além Paraíba, ainda não se pronunciou desde o início das investigações. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes