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Ex-superintendente da Codevasf diz que foi demitido por colaborar com investigações sobre desvios de emenda; veja VÍDEO

Fantástico percorre 2.500 quilômetros em 3 estados para descobrir o destino do dinheiro das emendas parlamentares O ex-superintendente da Companhia de Desenvo...

Ex-superintendente da Codevasf diz que foi demitido por colaborar com investigações sobre desvios de emenda; veja VÍDEO
Ex-superintendente da Codevasf diz que foi demitido por colaborar com investigações sobre desvios de emenda; veja VÍDEO (Foto: Reprodução)

Fantástico percorre 2.500 quilômetros em 3 estados para descobrir o destino do dinheiro das emendas parlamentares O ex-superintendente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), Miled Cussa Filho, afirmou que foi demitido após colaborar com investigações da Polícia Federal que apuram desvios de recursos de emendas parlamentares. Ele relatou que alertou sobre irregularidades em obras financiadas com dinheiro federal e que, depois disso, acabou afastado do cargo. (Veja no vídeo acima.) A declaração foi exibida pelo Fantástico neste domingo (18). A apuração investiga o uso irregular de emendas parlamentares em obras de pavimentação no Nordeste, com suspeitas de direcionamento de licitações, pagamentos indevidos e serviços que não foram executados. Parte dos recursos investigados foi usada na cidade de Campo Formoso, no norte da Bahia, onde moradores relatam a existência de “obras fantasmas”. Um dos casos envolve um convênio entre a prefeitura do município e a Codevasf, com recursos do chamado orçamento secreto, em 2021. Miled Cussa Filho diz ter sido demitido do cargo de superintendente regional da Codevasf após alertar órgãos de controle sobre irregularidades em obras. Reprodução/TV Globo/Fantástico O ex-superintendente da estatal disse que apontou problemas no projeto e no processo de licitação da obra de pavimentação na localidade de Limoeiro. Segundo ele, houve direcionamento da licitação e falhas técnicas que levaram o fiscal a rejeitar a proposta apresentada. “Teve o direcionamento da licitação e também problema no projeto. O fiscal rejeitou a proposta da prefeitura. Depois disso, eu fui demitido”, afirmou. Um relatório da PF menciona que a CGU fez uma auditoria sobre as obras e, a partir da análise de uma planilha de emendas, deduziu que o valor foi enviado pelo deputado Elmar Nascimento. "Encaminhei para o Ministério Público Federal, CGU [Controladoria-Geral da União], relatando todas as irregularidades dos convênios e aí eu fui demitido", disse Miled. O Fantástico procurou o deputado, que não quis gravar entrevista. Por mensagem, ele negou o envio de emendas para essas obras em Campo Formoso. LEIA TAMBÉM: Deputado Félix Mendonça (PDT) é alvo de operação que investiga suspeita de desvios de emendas Entenda os desdobramentos da operação Na última semana, a operação chegou à nona fase e teve como alvo o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-BA). Por ordem do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar em Brasília e na Bahia. O STF também determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas relacionadas aos investigados. Segundo a Polícia Federal, milhões de reais em emendas foram destinados a pelo menos três municípios baianos: Boquira - R$ 4 milhões; Ibipitanga - quase R$ 13 milhões, e; Paratinga - pouco mais de R$ 8 milhões. A investigação avançou após a apreensão do celular de um assessor do deputado, em junho do ano passado. As mensagens analisadas indicam negociações sobre repasses de dinheiro e pagamentos via Pix. Em nota, Félix Mendonça Júnior afirmou que nunca negociou a execução de emendas, nem indicou empresas para obras, e disse que colabora com as investigações. Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) Reprodução/TV Globo Obras paradas, prejuízo e calotes Em Campo Formoso, moradores dizem esperar há anos pelo asfalto prometido. Trabalhadores contratados para a obra afirmam que ficaram sem receber. Um deles, Jaelson Brito, calcula um prejuízo de R$ 28 mil após meses de trabalho sem pagamento. "No início, a empresa pagou o primeiro mês. No segundo mês, a gente trabalhou. Depois, ficamos fazendo as medições e sempre atrasando, atrasando. Passou dois, três meses, aí não recebemos. Eu não recebi. Meu prejuízo ficou em R$ 28 mil", afirmou. A empresa responsável pela obra era a Alfa Pavimentações. Os donos da construtora foram presos no aeroporto de Salvador com malas de dinheiro. Segundo o Fantástico, a empresa recebeu R$ 67 milhões em recursos federais nos últimos quatro anos — quase todo o valor oriundo do orçamento secreto. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que a falta de transparência sobre quem indica e fiscaliza as emendas facilita desvios. Para eles, quando o resultado da obra não é verificável na ponta, o risco de uso indevido do dinheiro público aumenta. Suspeitas se repetem em outros estados Casos semelhantes foram identificados em Estrela de Alagoas, onde obras de pavimentação estão paradas há meses. A empreiteira responsável é alvo da Operação Fake Road, que investiga fraudes no Ceará e no Rio Grande do Norte, incluindo o uso de fotos falsas para simular a execução de serviços, segundo o STF. Já em Rio Largo (AL), emendas destinadas à pavimentação são investigadas após o asfalto afundar pouco tempo depois da obra. Enquanto isso, em áreas rurais da Bahia, como Chorrochó, moradores relatam dificuldades extremas de acesso à água, mesmo com recursos federais destinados a infraestrutura. As investigações seguem em andamento no Supremo Tribunal Federal e na Polícia Federal. Ouça os podcasts do Fantástico ISSO É FANTÁSTICO O podcast Isso É Fantástico está disponível no g1 e nos principais aplicativos de podcasts, trazendo grandes reportagens, investigações e histórias fascinantes em podcast com o selo de jornalismo do Fantástico: profundidade, contexto e informação. Siga, curta ou assine o Isso É Fantástico no seu tocador de podcasts favorito. Todo domingo tem um episódio novo. 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